O nascimento do Meio.


Era uma vez alguém que só queria ser feliz. Que gostava de sentir nas coisas mais simples do dia a dia a certeza que a felicidade existia. 
De sorrir por qualquer coisa, de achar graça até naquilo que parece não ser motivo de riso, e de fazer do drama uma eterna comédia. 
Alguém que aprendeu a ser duro pra sustentar o que a vida também trouxe de aprendizado, que criou o que chamou de carapaça, e que levou por muito tempo esse peso em si e ao redor.
Esse alguém não tinha ideia de que a felicidade se dá pelo caminho e não pelo fim! De que só se vive quando não se tem medo da vida, como diria Charles Chaplin...
E por muito tempo, no seu pouco tempo de vida, esse alguém se viu estático, paralisado, estagnado.
O que o alguém não sabia é que também não existe nenhuma energia parada, nenhum momento sem movimento, uma vez que o tempo permite que tudo se transforme. O grande aprendizado está em esperar que aquilo que se quer chegue no tempo que não é o nosso, e sim o tempo em si.
Pois bem, esse alguém se viu diante de uma encruzilhada quando encontrou no algo as mesmas características dele. Como alguém poderia estar em algo? Como suas mesmas dúvidas poderiam ser algo e não somente esse alguém? 
Da mesma forma, esse algo passou a se indagar constantemente...Quem é esse alguém que desperta as mesmas dúvidas que um dia teve, e que esqueceu de responder? Quem é esse alguém que traz o mesmo propósito pra sua trajetória, por mais que ainda não esteja concretizada? 
Enfim, um dia algo e alguém resolveram ser um meio. Um meio pelo qual caminhassem juntos. Pelo qual algo e alguém estivessem separados, mas pudessem somar no meio, que nada mais é que o caminho, que nada mais é que a felicidade em si mesmos.

(O nascimento do Meio - Mayra Cive)

Fonte: Arquivo pessoal.

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