Do you like art? So, come on!
A arte de ser feliz
(Cecilia Meireles)
"Houve um tempo em que minha janela se abria
sobre uma cidade que parecia ser feita de giz.
Perto da janela havia um pequeno jardim quase seco.
Era uma época de estiagem, de terra esfarelada,
e o jardim parecia morto.
Mas todas as manhãs vinha um pobre com um balde,
e, em silêncio, ia atirando com a mão umas gotas de água sobre as plantas.
Não era uma rega: era uma espécie de aspersão ritual, para que o jardim não morresse.
E eu olhava para as plantas, para o homem, para as gotas de água que caíam de seus dedos magros e meu coração ficava completamente feliz.
Às vezes abro a janela e encontro o jasmineiro em flor.
Outras vezes encontro nuvens espessas.
Avisto crianças que vão para a escola.
Pardais que pulam pelo muro.
Gatos que abrem e fecham os olhos, sonhando com pardais.
Borboletas brancas, duas a duas, como refletidas no espelho do ar.
Marimbondos que sempre me parecem personagens de Lope de Vega.
Ás vezes, um galo canta.
Às vezes, um avião passa.
Tudo está certo, no seu lugar, cumprindo o seu destino.
E eu me sinto completamente feliz.
Mas, quando falo dessas pequenas felicidades certas,
que estão diante de cada janela, uns dizem que essas coisas não existem,
outros que só existem diante das minhas janelas, e outros,
finalmente, que é preciso aprender a olhar, para poder vê-las assim".
Fico com a opinião dos terceiros... São muitos os momentos em que estou com o jardim seco, quase querendo morrer... Mas basta um olhar com mais precisão sobre a janela para avistar o íntimo e, portanto, o cerne daquilo que realmente é. E o que é? A realidade, aquilo que é em si mesmo, o hoje, o agora, como queira chamar! Às vezes feio para alguns (como nuvens espessas), outras suaves e cheios de liberdade (como duplas de borboletas). Não importa aquilo que se parece ser, mas sim aquilo que é, e por ser, existe, "está certo, no seu lugar, cumprindo o seu destino".
Tal como o dia de hoje. Visitei finalmente o cerne de dois dos grandes monumentos daqui: The Royal Pavilion e a Galeria de arte + museu de Brighton.
Tudo está lá, no seu lugar, cumprindo o seu papel, no caso de nos fazer reviver histórias que nem mesmo vivenciamos (Será que não? rs), de conhecer melhor aquilo que se pensava, agia, fazia naquela época.
É engraçado e por vezes misterioso pensar que tudo aquilo tem centenas de anos e que em algum momento alguém sentou naquela cadeira, correu por aqueles longos corredores ou dormiu entre aquelas 4 assustadoras paredes do quarto.
Infelizmente não é possível tirar fotos dentro do The Royal Pavilion, mas posso dizer que as imagens são mais impressionantes do que a grandiosidade fora. Exuberância, muito contraste, certo exagero em alguns casos, refletem muito a personalidade do pequeno grande homem rei da época, George IV. A arquitetura e todo o histórico do local mostra que seu maior desejo era de ser uma verdadeira cópia dos palácios indianos com toques internos de muuuita cultura chinesa! Sim, há muitas imagens, seja de chineses com roupas tradicionais ou mesmo na própria arquitetura e nos papeis de parede! Cores pastéis com florais, e o contraste de ouro, cores vibrantes cheios de dragões e cobras...Ah, sem contar com a sombria utilização do espaço como Hospital para soldados indianos durante a Primeira Guerra Mundial...Sim, como disse, contraste e exuberância são as palavras!
E depois, mas não menos importante, o tradicional museu de Brighton. Crianças por todos os lados fazendo um verdadeiro "fuá" e tour por lá! Mas basta um: Be quiet! e todas ficam mudinhas, com olhares azuis lindos e com cara de "gato de botas" do Shrek! Roupas, protótipos e maquetes do início da cidade, dos primeiros e eternos transportes, seringas e demais utensílios de hospitais ou da área da saúde...
Sarcófagos, grandes amuletos da época, e logo depois uma concentração de armas para depois mostrar as vitórias do Brighton Football a exuberante biblioteca, com livros todos encapados e muito coloridos! Sim, é incrível como tudo aqui é mostrado com grandes diferenças, mas que fazem muito sentido, juntas!










Sim, é bom poder fazer tudo isso sozinha. O olhar se abre e é possível encontrar em si um pouco de tudo que se vê. E mais: encontrar o "pratododia" pelas ruas, avenidas, por entre os jardins ou simplesmente voltando pra casa...



(Cecilia Meireles)
"Houve um tempo em que minha janela se abria
sobre uma cidade que parecia ser feita de giz.
Perto da janela havia um pequeno jardim quase seco.
Era uma época de estiagem, de terra esfarelada,
e o jardim parecia morto.
Mas todas as manhãs vinha um pobre com um balde,
e, em silêncio, ia atirando com a mão umas gotas de água sobre as plantas.
Não era uma rega: era uma espécie de aspersão ritual, para que o jardim não morresse.
E eu olhava para as plantas, para o homem, para as gotas de água que caíam de seus dedos magros e meu coração ficava completamente feliz.
Às vezes abro a janela e encontro o jasmineiro em flor.
Outras vezes encontro nuvens espessas.
Avisto crianças que vão para a escola.
Pardais que pulam pelo muro.
Gatos que abrem e fecham os olhos, sonhando com pardais.
Borboletas brancas, duas a duas, como refletidas no espelho do ar.
Marimbondos que sempre me parecem personagens de Lope de Vega.
Ás vezes, um galo canta.
Às vezes, um avião passa.
Tudo está certo, no seu lugar, cumprindo o seu destino.
E eu me sinto completamente feliz.
Mas, quando falo dessas pequenas felicidades certas,
que estão diante de cada janela, uns dizem que essas coisas não existem,
outros que só existem diante das minhas janelas, e outros,
finalmente, que é preciso aprender a olhar, para poder vê-las assim".
Fico com a opinião dos terceiros... São muitos os momentos em que estou com o jardim seco, quase querendo morrer... Mas basta um olhar com mais precisão sobre a janela para avistar o íntimo e, portanto, o cerne daquilo que realmente é. E o que é? A realidade, aquilo que é em si mesmo, o hoje, o agora, como queira chamar! Às vezes feio para alguns (como nuvens espessas), outras suaves e cheios de liberdade (como duplas de borboletas). Não importa aquilo que se parece ser, mas sim aquilo que é, e por ser, existe, "está certo, no seu lugar, cumprindo o seu destino".
Tal como o dia de hoje. Visitei finalmente o cerne de dois dos grandes monumentos daqui: The Royal Pavilion e a Galeria de arte + museu de Brighton.
Tudo está lá, no seu lugar, cumprindo o seu papel, no caso de nos fazer reviver histórias que nem mesmo vivenciamos (Será que não? rs), de conhecer melhor aquilo que se pensava, agia, fazia naquela época.
É engraçado e por vezes misterioso pensar que tudo aquilo tem centenas de anos e que em algum momento alguém sentou naquela cadeira, correu por aqueles longos corredores ou dormiu entre aquelas 4 assustadoras paredes do quarto.
Infelizmente não é possível tirar fotos dentro do The Royal Pavilion, mas posso dizer que as imagens são mais impressionantes do que a grandiosidade fora. Exuberância, muito contraste, certo exagero em alguns casos, refletem muito a personalidade do pequeno grande homem rei da época, George IV. A arquitetura e todo o histórico do local mostra que seu maior desejo era de ser uma verdadeira cópia dos palácios indianos com toques internos de muuuita cultura chinesa! Sim, há muitas imagens, seja de chineses com roupas tradicionais ou mesmo na própria arquitetura e nos papeis de parede! Cores pastéis com florais, e o contraste de ouro, cores vibrantes cheios de dragões e cobras...Ah, sem contar com a sombria utilização do espaço como Hospital para soldados indianos durante a Primeira Guerra Mundial...Sim, como disse, contraste e exuberância são as palavras!E depois, mas não menos importante, o tradicional museu de Brighton. Crianças por todos os lados fazendo um verdadeiro "fuá" e tour por lá! Mas basta um: Be quiet! e todas ficam mudinhas, com olhares azuis lindos e com cara de "gato de botas" do Shrek! Roupas, protótipos e maquetes do início da cidade, dos primeiros e eternos transportes, seringas e demais utensílios de hospitais ou da área da saúde...
Sarcófagos, grandes amuletos da época, e logo depois uma concentração de armas para depois mostrar as vitórias do Brighton Football a exuberante biblioteca, com livros todos encapados e muito coloridos! Sim, é incrível como tudo aqui é mostrado com grandes diferenças, mas que fazem muito sentido, juntas!










Sim, é bom poder fazer tudo isso sozinha. O olhar se abre e é possível encontrar em si um pouco de tudo que se vê. E mais: encontrar o "pratododia" pelas ruas, avenidas, por entre os jardins ou simplesmente voltando pra casa...






















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